Cibercultura selon Pierre Levy | Apresentação de exemplos
Levy considera, assim, que as novas tecnologias são agentes da mudança cultural. Estas tecnologias alteraram a nossa maneira de aceder à informação, mas também redefiniram as interações humanas, a construção do conhecimento e a própria natureza da identidade num mundo cada vez mais conectado digitalmente. No entanto, refere que “O virtual não substitui o real, ele multiplica as oportunidades para atualizá-lo.”Todas as redes criadas em torno desta inteligência coletiva devem servir para promover o conhecimento e a aprendizagem, devem servir para que os cidadãos reflitam sobre todos os assuntos, incluindo políticos.
Outro aspeto abordado por Levy é a existência da universalidade sem totalidade. A cibercultura é universal, porque se estabelece através da comunicação em rede, espalha-se e abrange todo o mundo, tal como, por exemplo a religião ou a ciência. No entanto, é aberta, ou seja, é um espaço onde cada um pode ter as suas ideias, onde não há um pensamento único.
Na obra Cibercultura, Levy reflete essencialmente sobre as potencialidades deste movimento, não abordando as suas limitações ou desvantagens. Ao canal de Youtube Sciences Po Executive Education, em 2015, Levy comentava que “não sendo tudo perfeito, devemos usar as possibilidades dadas pela cibercultura da forma mais inteligente possível”. Pontos negativos existem em todas as vertentes da nossa vida, da nossa cultura. Cabe-nos a nós, membros desta cibercultura, fazer valer todas as potencialidades desta ferramenta.
Master class de Pierre Levy: Vers une intelligence collective réflexive (03/07/2015)
As
estimativas apontam para a existência de mais de 600 milhões de blogues no
mundo inteiro, sendo as plataformas mais usadas para a sua criação o WordPress,
Blogger, Medium, Tumblr e Squarespace.
Os blogues
podem agregar diferentes formatos de conteúdos, desde texto, imagens,
infográficos até vídeos, áudios e apresentações de diapositivos. Os posts, que
devem idealmente ser muito frequentes, são apresentados de forma cronológica,
do mais antigo ao mais recente, podendo também ser atribuídas etiquetas a cada um, o que facilita a pesquisa
por um ou outro tema.
Todos os dias, efetuam-se milhões de novos
posts, contribuindo, assim, para um exponencial aumento do conhecimento
coletivo. Estudos revelam que cerca de 77% dos usuários da internet leem blogues
regularmente e, sendo que estes são classificados como a quinta fonte mais
confiável de informações online, de acordo com o site Searchenginepeople.
*EduProfs
*Blog DeAr Lindo
*Correntes
*Ensino Básico
*Professor João
2. Crowdsourcing
Não podendo ser confundida com brainstorming, a primeira referência ao crowdsourcing data do ano 2006, tendo sido definido por Howe, na revista, Wired como sendo “o ato de uma empresa ou instituição pegar numa função realizada pelos seus funcionários e terceirizar para uma rede indefinida (e geralmente grande) de pessoas, na forma de um convite aberto. Isso pode assumir a forma de peer-produção (quando o trabalho é realizado em colaboração), mas também pode ser realizado por indivíduos únicos. O pré-requisito fundamental é o uso do formato de convite aberto e a grande rede de potenciais colaboradores ".
É um processo, essencialmente online, que permite
obter contribuições, ideias, serviços ou conteúdos de um vasto grupo de pessoas
de diversas origens, podendo ser trabalhadores voluntários e/ou trabalhadores a
tempo parcial. É, frequentemente, utilizado para encontrar soluções inovadoras
para problemas complexos, aproveitando o conhecimento coletivo. A diversidade
do grupo faz com que os problemas sejam analisados sob diferentes perspetivas. É
um recurso usado, por exemplo, para realizar trabalhos de grande envergadura,
que seriam muito morosos se fossem realizados por uma pessoa ou um pequeno
grupo de pessoas.
O crowdsourcing
é aplicado em diversos setores, incluindo tecnologia, design, ciência,
negócios, entretenimento, entre outros. Como exemplo de crowdsourcing, encontramos
a Wikipedia, onde cada um de nós pode acrescentar dados às informações
encontradas nesta que já é a maior enciclopédia do mundo. Também temos o
OpenStreetMap (criação de mapas detalhados e gratuitos) ou, ainda, o
Kickstarter (plataforma de financiamento coletivo em que indivíduos apoiam
financeiramente projetos criativos).
Este recurso traz muitos benefícios como o
desenvolvimento de novas ideias, a redução dos tempos de investigação, a redução
de custos, a resolução de problemas complexos (científicos ou outros). Existe
também a ideia de que um recurso elaborado por muitas pessoas será mais
completo e assertivo do que um construído por um grupo restrito. Remete ainda para uma estratégia de inovação
aberta que permite às empresas, que recorrem ao crowdsourcing, aceder a
uma ampla variedade de ideias e a talentos externos.
C. Brabham
(2013) define quatro tipos de crowdsourcing, em função das
características dos problemas colocados:
- Descoberta do Conhecimento e
Gestão – para pesquisar e reunir informações, é adequado para a criação de
recursos coletivos.
- Inteligência Humana Distribuída
em Multitarefas – para processar e analisar uma grande quantidade de
informações.
- Pesquisa Broadcast - para
encontrar uma solução para problemas objetivos, como problemas
científicos.
- Ponto-vetados de Produção
Criativa - para encontrar uma solução para problemas subjetivos, como
problemas políticos.
A cultura de crowdsourcing representa uma
mudança na forma como as tarefas são realizadas e os problemas são abordados,
incentivando a participação ativa e a colaboração em escala global.
3. Podcasts
Esta cultura refere-se à produção e ao consumo de
conteúdos, em formato áudio, sobre uma grande variedade de temas, permitindo
que pessoas compartilhem ideias e histórias de maneira acessível e, quase
sempre, de forma gratuita. Os podcasts abordam uma vasta variedade de
tópicos, podendo ser informativos, educacionais, de entretenimento,
entrevistas, narrativas, ficção, debates e muito mais.
Organizados em episódios, mais ou menos longos e
publicados de forma regular e frequente, são distribuídos usando feeds
RSS, o que permite que os ouvintes, que assinaram um determinado podcast,
recebam notificações sempre que surge um novo episódio. Podem ser considerados
como uma forma popular de consumir conteúdo, sendo uma alternativa aos
tradicionais meios de comunicação.
Desde qualquer dispositivo, é possível aceder a podcasts,
sendo várias as plataformas que os compilam, sendo as mais usadas Apple
Podcasts, Spotify, Google Podcasts, entre outras. Além disso, muitos podcasts
têm os seus próprios sites.
São vários os motivos pelos quais as pessoas ouvem podcasts:
para se manterem informadas, por entretenimento, pelo lado prático de poder
ouvir e realizar outra(s) tarefa(s) ao mesmo tempo, por sentirem uma ligação
com os criadores dos podcasts os podcasters, pela diversidade dos temas
disponíveis. Muitos também os ouvem para se sentirem bem, como instrumentos de
autoajuda e desenvolvimento pessoal.
Por estes motivos, são cada vez mais populares, estando em constante crescimento o número de ouvintes de podcasts, prevendo-se que este aumento continue em 2024, de acordo com os dados da empresa Statista:
Os podcasters costumam disponibilizar os seus conteúdos de forma gratuita de forma a alcançar um público mais numeroso, podendo obter algum tipo de receita recorrendo a publicidade e patrocínios, financiamento coletivo, venda de produtos associados ao próprio podcast ou assinaturas premium, que permitem aceder a conteúdos exclusivos.
De acordo com
o site Podtail, os cinco podcasts mais ouvidos em Portugal, em novembro
de 2023, são:
- O encantador de ricos
- Poucos mas bons – Radio Comercial
- Extremamente desagradável – Rádio Renascença
- Inacreditável by Inês Castel-Branco – Rádio Comercial
- O homem que mordeu o cão – Rádio Comercial
Devido à versatilidade e acessibilidade dos podcasts, estes revestem, também, um forte potencial educativo. Cada pessoa/aluno pode ouvir e aprender sobre o tema que quiser, onde e quando quiser. Ao ser um recurso narrado, também se torna bastante interessante e mais fácil de entender. É um recurso em constante atualização, sendo possível ouvir entrevistas a especialistas e, assim, adquirir novos conhecimentos. Os próprios alunos podem criar podcasts, desenvolvendo capacidades de pesquisa, narração, edição e de apresentação oral.
Documentos e sites consultados:
- Brabham, Daren C. (2013), Crowdsourcing, MIT Press.
- Howe, Jeff (June 2, 2006). "Crowdsourcing:
A Definition".
Crowdsourcing Blog.
- Lévy, P. (2000) Cibercultura. Lisboa: Piaget.
- Os 100 podcasts mais populares do momento. (2023, 10 de novembro). Podtail. https://podtail.com/pt-PT/top-podcasts/pt/
- Os Melhores Blogues Educativos em Portugal (2020, 7 de agosto). Twinkl. https://www.twinkl.pt/blog/os-melhores-blogues-educativos-em-portugal
- Patel, N. (n.d.) Blog: O Que É, Como Funciona, Para que Serve e Muito Mais!. https://neilpatel.com/br/blog/blog-o-que-e/
- Podcasting. (n.d.). Wikipedia. https://pt.wikipedia.org/wiki/Podcasting
- Ross, J. (2014, 1 de agosto) How Effective Is Blogging For Business. https://www.searchenginepeople.com/blog/925-business-blogging.html



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