Tecnologias interativas da web social para a criação de AVA's
Para este segundo trabalho, o prof. António Moreira solicitou que refletíssemos sobre os pressupostos e critérios que o professor deve considerar na escolha das tecnologias e plataformas que irá usar no processo educativo. Para nos orientar no nosso estudo, disponibilizou um recurso audiovisual, bem como, dois artigos: Educação e Ambientes Híbridosde Aprendizagem. Um Processo de Inovação Sustentada, de Moreira, J. A. e Horta, M. J. (2020) e Handbook of Emerging Technologies for Learning, de Siemens, G. e Tittenberger, P. (2009).
Após uma primeira semana dedicada à leitura de diferentes fontes sobre o tema, a segunda foi passada a debater o assunto, com os restantes colegas, em contexto de “Sala de aula virtual”, tendo resultado numa conversa muito participada e rica em ensinamentos. Na terceira semana, o professor abriu uma sala de aula virtual assíncrona no software VideoAnt. Esta foi uma agradável descoberta para mim. Não conhecia o software, mas gostei imenso de o usar. Sendo muito intuitivo, permite-nos comentar vídeos, no preciso momento em que a ideia que analisamos surge, possibilitando, ainda, debater cada comentário publicado pelos colegas. Resultou, assim, num debate e troca de ideias muito animados.
Destas diversas fases de estudo e debate, construí o seguinte entendimento relativamente aos pressupostos e critérios que o professor deve usar para selecionar as plataformas e as tecnologias digitais mais adequadas para desenvolver o processo de ensino/aprendizagem.
Considerando todos os novos desafios que as transformações e inovações tecnológicas estão a impor à sociedade, torna-se necessário repensar o paradigma da educação para que, envolvendo diferentes públicos (investigadores, políticos, sociedade em geral) se alcance um sistema educativo moderno e adaptado ao mundo em que vivemos.
Conforme discutido no tema anterior, o papel do professor no processo educativo é central. Assim, será também competência dele selecionar os recursos, plataformas e tecnologias mais adequadas para lecionar um determinado conteúdo, desempenhando nesta fase um papel preponderante (Moreira et al, 2020). Usar a tecnologia não garante qualidade aos processos educativos nem às aprendizagens, pois, não basta usar as tecnologias, é preciso saber usá-las. Para tal, o professor deve avaliar a qualidade pedagógica dos recursos que pretende usar e selecionar os mais adequados, sendo esta uma tarefa relativamente complexa ao mesmo tempo que demorada, o que configura ser, logo à partida, um obstáculo para os docentes já bastante ocupados com diversas tarefas.
Assim, o que deve considerar o docente quando seleciona os recursos e tecnologias que pretende usar nas suas aulas?
Elaborado pela própria, com recurso ao software Canva.
Em primeiro lugar, deve ter em conta que a escolha das tecnologias e dos recursos deve estar de acordo com os objetivos pedagógicos que pretende alcançar. Segundo Morán (2015), a tecnologia, por si só, não garante aprendizagem. Ela deve facilitar o processo de construção do conhecimento, promovendo interações significativas entre alunos e conteúdos.
O docente também deve considerar qual é o público-alvo, as suas expectativas, os seus conhecimentos prévios e dificuldades. Deverá, ainda, ter em conta a acessibilidade dos recursos, de forma a existir equidade no acesso aos mesmos e evitar a exclusão dos alunos com maiores dificuldades (socioeconómicas ou de aprendizagem) no acesso às tecnologias (Burgstahler, 2002).
Outro pressuposto importante é a flexibilidade e a adaptabilidade das tecnologias. De acordo com Costa (2019), as plataformas e ferramentas digitais devem permitir a personalização do ensino, pelo que devem oferecer múltiplas formas de interação e apresentação do conteúdo, fazendo com que cada aluno possa seguir o seu próprio caminho de aprendizagem, dentro do ambiente virtual.
Será, ainda, necessário verificar a fiabilidade dos recursos, pois estarem disponibilizados numa plataforma de aprendizagem não é, por si só, garantia de informação correta e/ou atualizada. Daí ser necessário estabelecer alguns procedimentos internos: verificar a relevância e qualidade do recurso para o currículo, avaliar a facilidade de uso e a reputação do autor/instituição (Moreira et al, 2020).
Tendo em conta a grande importância do feedback e da auto e heteroavaliação (Salmon, 2000), será também relevante procurar softwares que agilizem estes aspetos, procurando alcançar uma cultura de aprendizagem centrada no aluno.
Considerar a intuitividade e usabilidade dos softwares também é essencial, pois conforme referem Moreira & Horta (2020) o professor deve ter tempo para os experimentar, de forma a verificar se se adequam às metodologias de ensino e objetivos de aprendizagem escolhidos. Estes autores ainda consideram importante os professores disponibilizarem aos alunos um guião pedagógico a partir do qual esses passam a ter conhecimento dos ambientes de aprendizagem, recursos, metodologias, software(s) que serão usados pelos docentes, o que permite uma melhor preparação do estudante.
Custo e sustentabilidade serão outros aspetos a ter em conta quando se selecionam plataformas ou tecnologias digitais. Uma solução pode passar por usar materiais disponíveis gratuitamente.
Finalmente, é fundamental considerar a segurança e a privacidade dos dados dos usuários, escolhendo plataformas que cumpram com as legislações de proteção de dados e ofereçam um ambiente seguro para a troca de informações.
Como está a evoluir e educação?
Hoje em dia, já ninguém pode pôr em questão as vantagens do uso das tecnologias para enriquecer os processos de aprendizagem. O futuro da educação passa pelo ensino misto, faltando definir como alcançar uma educação híbrida bem-sucedida e sustentável, sendo certo que a comunicação está no centro de todo o processo, ligando os atores humanos e não humanos, para alcançar o conhecimento. O ensino híbrido combina ensino presencial com aprendizagem online, aproveitando o melhor das duas realidades, de forma a atingir uma experiência de aprendizagem mais rica que permite aos alunos desenvolver competências de autonomia (Lee, 2016).
Em 2012, Horn & Staker (citado em Moreira & Horta, 2020) consideraram quatro modelos principais de ensino híbrido:
- Modelo por rotação: por estações / laboratório rotacional / flipped classroom e rotação individual;
- Modelo Flex;
- Modelo
self-blend (ou à la carte) ;
- Modelo virtual enriquecido.
Estes modelos podem ser articulados entre eles conforme as metodologias das escolas, dos professores e conforme as características das turmas. São assim criados programas personalizados de aprendizagem (Moreira & Horta, 2020).
A evolução constante das tecnologias influencia todas as vertentes das nossas vidas, incluindo a educação, fazendo com que o professor tenha de assumir um papel de investigador (Siemens & Tittenberger, 2009), tendo de estar sempre a par das últimas descobertas que possam enriquecer os processos educativos.
Formar os jovens para uma determinada profissão já não faz sentido, pois o mundo evolui demasiado depressa para tal, sendo que os atuais jovens irão ter profissões que não existem ainda. Assim, mais importante do que ensinar conteúdos específicos, devemos formar as crianças e jovens para que desenvolvam competências como criatividade, espírito crítico, comunicação, trabalho colaborativo, ao mesmo tempo que se deverá cultivar o conceito de aprendizagem ao longo da vida e importância do desenvolvimento pessoal.
Cada vez mais, o nosso sistema de ensino está orientado para a educação inclusiva e cada vez mais se dá atenção às especificidades dos alunos, quer sejam de cariz físico, cognitivo ou emocional. Será, portanto, importante o professor deter um conhecimento amplo das plataformas, dos softwares e das tecnologias de que dispõe para criar um ambiente de aprendizagem o mais próximo possível das necessidades dos seus alunos.
Integrar diversas plataformas digitais faz com que os alunos explorem e
interajam com uma variedade de recursos e ferramentas, levando a uma
aprendizagem mais personalizada e adaptada às suas necessidades individuais, tornando-os
mais autónomos.
Considerando o Perfil do aluno à saída da escolaridade obrigatória, verificamos
que os seus autores defendem a ideia de que a educação deve garantir a
adaptabilidade dos estudantes às mudanças constantes, tanto no conhecimento
como na tecnologia. Para eles, a educação deve garantir estabilidade e
capacidade de adaptação, permitindo que os alunos se ajustem e tenham sucesso
num mundo em constante transformação.
Ainda referem que o uso de tecnologias adaptativas e flexíveis no ambiente
educacional proporciona a personalização das aprendizagens, possibilitando uma
inclusão mais ampla, sendo usados diferentes estilos de aprendizagem.
Assim, o objetivo será criar um ambiente de aprendizagem que seja inclusivo e
eficaz, onde a tecnologia é usada para facilitar o acesso de todos à educação,
independentemente das características ou necessidades individuais.
Conclusões
Assim, é essencial o docente conhecer bem os softwares, perceber que utilidades pedagógicas podem ter, se se adequam aos objetivos que pretende alcançar e à própria turma. Neste contexto, o professor assume o papel de “curador de conteúdo” (Moreira et al, 2020), devendo procurar recursos, analisá-los e verificar a sua fiabilidade e adequabilidade para, depois, selecionar o(s) que melhor irá responder às suas necessidades. Por fim, deverá partilhar os conteúdos mais relevantes.
Para que tenha sucesso nesta tarefa, a formação é essencial, pois será capacitado para aprender a tirar o máximo proveito possível dos recursos (Moreira et al, 2020). Um dos grandes desafios será, na minha opinião, garantir o acesso equitativo às tecnologias, fazendo com que nenhum aluno fique excluído por falta de acesso aos conteúdos, ou seja, a exclusão digital deve ser aniquilada. Outro será conseguir alterar as mentalidades da comunidade escolar e, até, da sociedade em geral, para que valorizem os benefícios do uso, responsável, da inteligência artificial em sala de aula (virtual ou não), considerando as potencialidades que esta ferramenta pode trazer, nomeadamente em termos de personalização do ensino, fazendo com que o aluno e as suas necessidades, expectativas e características sejam o centro das aprendizagens.
A educação atual não é aquele que conhecemos há 20 anos, o conceito evoluiu, procura-se presentemente formar pessoas, futuros cidadãos, para o pensamento crítico e para a comunicação e trabalho colaborativo. As tecnologias fazem parte integrante das escolas, sendo necessário apostar ainda mais na sua utilização, de forma a que todos os docentes saibam tirar o melhor partido das potencialidades dessas ferramentas para o aluno.
Referências
Bates, A. W. (2015). Teaching in a Digital Age: Guidelines for Designing Teaching and Learning. Tony Bates Associates Ltd.
Burgstahler,
S. (2002). Distance Learning: Universal Design, Universal Access. AACE
Review (formerly AACE Journal), 10(1),
32-61. https://www.researchgate.net/publication/255585355_Distance_Learning_Universal_Design_Universal_Access#fullTextFileContent
Moran, J. M. (2015). Mudando a educação com metodologias ativas. In: Souza, C.A. (Org.), Metodologias Ativas para uma Educação Inovadora: Uma Abordagem Teórico-Prática. Coleção Mídias Contemporâneas. Convergências Midiáticas, Educação e Cidadania: aproximações jovens. Vol. II.
Moreira, J. A., Henriques, S., Barros, D., Goulão, F., & Caeiro, D. (2020). Educação Digital em Rede: Princípios para o Design Pedagógico em Tempos de Pandemia. Coleção Educação a Distância e eLearning. Edições Universidade Aberta.
Moreira, J. A., & Horta, M. J. (2020). Educação e Ambientes Híbridos de Aprendizagem. Um Processo de Inovação Sustentada. Revista UFG. v.20: e66027, 1-29.
Salmon, G. (2000). E- moderating: The Key to Teaching and Learning Online (Second Ed.). RoutledgeFalmer - Taylor & Francis Group.
Siemens,
G. e Tittenberger, P. (2009). Handbook
of Emerging Technologies for Learning. https://elearning.uab.pt/pluginfile.php/3436839/mod_resource/content/1/HETL_pdf.pdf





Comentários
Enviar um comentário