Chegando agora ao fim da UC "Modelos de Educação a Distância - EaD", surge a necessidade de refletir sobre as aprendizagens realizadas.
Quando iniciou o semestre, pouco sabia sobre Educação a Distância, sobre teorias do EaD ou sobre os modelos e as tendências emergentes em educação online. Foi, portanto, com muita expectativa que iniciei os trabalhos, pois, muito tinha para aprender.
Assim, dos diferentes trabalhos realizados, destaco as seguintes aprendizagens:
1 - Bibliografia anotada (atividade 1)
Não conhecendo este tipo de bibliografia, devo referir que foi uma descoberta muito positiva. Nunca
tendo realizado nenhuma, iniciei o trabalho pesquisando sobre o tema de forma a perceber o que
deveria fazer. Existem muitas informações na web que me permitiram avançar com
a realização do trabalho.
Após
a apresentação dos trabalhos individuais, foi-nos solicitado chegar a uma
versão de grupo para cada artigo sugerido. Este trabalho foi bastante
desafiante, pois não é fácil chegar a consenso num grupo tão grande,
essencialmente quando se trabalha de forma assíncrona. No entanto, com o
contributo de todos, conseguimos chegar a textos finais bastante completos.
Aprender
a redigir bibliografias anotadas será de uma grande utilidade no ano da redação
da dissertação pois, ajudar-nos-á a organizar de forma mais fácil e eficiente
as fontes que consultamos.
2 - Teorias do EaD (atividade 2)
Neste tópico, foi solicitado pela professora o estudo de duas teorias do EaD, de entre as cinco principais e a elaboração, em grupo, de um artefato digital confrontando as duas teorias escolhidas. Posteriormente, comentamos os trabalhos realizados pelos restantes grupos. Este tipo de tarefa permitiu que, através do trabalho colaborativo e a partilha de conhecimentos, ficássemos com uma visão de todas as teorias.
Assim, aprendi que:
-A Teoria do Estudo Independente, proposta por Wedemeyer, dá destaque à autonomia do aluno no processo de ensino-aprendizagem, promovendo a automotivação e a responsabilidade. Neste contexto, os estudantes assumem um papel ativo na construção do seu próprio conhecimento, adaptando o ritmo de estudo às suas necessidades.
-A Teoria da Conversação Didática Guiada, formulada por Holmberg, valoriza a interação entre o aluno e o tutor considerando-a essencial para o sucesso do EaD, sendo também relevante um processo de ensino personalizado. A comunicação efetiva desempenha um papel crucial, proporcionando orientação e suporte.
-A Teoria da Industrialização, de Otto Peters, analisa o ensino a distância sob a perspetiva da produção em massa, procurando alcançar eficiência e padronização. Peters propõe a aplicação de métodos industriais, destacando a sistematização e a eficácia na entrega de conteúdo educacional.
-A Teoria da Distância Transacional, de Michael Moore, concentra-se nas relações interpessoais entre aluno e professor, considerando essenciais a autonomia e o diálogo no EaD.
-A Teoria da Comunidade de Investigação, desenvolvida por Garrison, Anderson e Archer, destaca a importância da interação social no EaD. Esta teoria promove a colaboração, a reflexão e a construção coletiva do conhecimento, proporcionando uma abordagem social e construtivista.
Trabalho do grupo 1 - Teoria do estudo independente e Teoria da conversação didática guiada
3 - Educação online - tendências emergentes (atividade 3)
Neste tópico, continuamos a trabalhar em grupo. Esta atividade foi muito exigente pois, para além de estudarmos de forma aprofundada um modelo emergente, tivemos de o comparar com um dos outros modelos, analisando o trabalho de outro grupo e criando, ainda, um infográfico refletindo essa comparação. Para além disto, ainda foi necessário elaborar a bibliografia anotada dos textos analisados, debater sobre esses trabalhos e elaborar três questões para o guião de entrevista. Foi, para mim, uma carga de trabalho muito grande e esgotante. Porém, sinto que aprendi bastante sobre os três modelos analisados pela turma. No final da atividade, foi possível entender que o processo de ensino-aprendizagem, no século XXI, está profundamente influenciado por diversos modelos emergentes que procuram integrar tecnologia, flexibilidade e compromisso.
Dos três modelos emergentes que estiveram em análise, destaco as seguintes ideias gerais:
-Os modelos híbridos, como o Flipped Classroom, representam abordagens transformadoras. O Blended Learning combina o ambiente presencial com elementos online, proporcionando aos alunos uma experiência flexível que incorpora o melhor dos dois tipos de ensino. O Flipped Classroom inverte a dinâmica de ensino, pois os alunos estudam os conteúdos antes das aulas e fora da sala de aulas, reservando o tempo presencial para atividades mais interativas, como debates, e para esclarecer dúvidas.
-Os modelos de MicroLearning, como Mobile Learning e Gamificação, surgiram para responder à necessidade de uma aprendizagem personalizada e acessível. O Mobile Learning, recorrendo aos dispositivos móveis, proporciona conteúdos educacionais em qualquer lugar e a qualquer momento, sendo, por isso, muito flexível. Por outro lado, a Gamificação introduz elementos lúdicos no processo de aprendizagem, transformando a aquisição de conhecimento numa experiência mais motivadora.
-No campo do EaD, a Inteligência Artificial (IA) está a causar um forte impacto, no que diz respeito à personalização e adaptação do ensino. No entanto, é necessário agir com cautela, pois, a implementação eficaz da IA no EaD implica considerações éticas, como a privacidade do aluno e a equidade no acesso.
Relatório do grupo 1 - Modelos híbridos
Infográfico do grupo 1 - Modelos híbridos vs Microlearning
4 - Entrevista a um especialista em EaD (atividade 4)
Esta
atividade foi, na minha opinião, a mais interessante de concretizar por ter
permitido realizar um trabalho mais prático e conhecer o ponto de vista de
alguém envolvido profissionalmente nos assuntos que o nosso grupo decidiu abordar, a saber: o
impacto do Plano de Ação Estratégico para a Transição Digital na capacitação
digital dos professores, a implementação dos modelos híbridos na sala de
aula e tecnologias emergentes no processo de aprendizagem dos estudantes. A elaboração do guião da
entrevista obrigou a uma esquematização dos objetivos que pretendíamos alcançar,
seguindo-se a construção das questões que nos levariam a obter respostas a
esses mesmos objetivos.
Após
termos elaborado o guião, tivemos algumas dificuldades em
concretizar a entrevista, pois, a professora que pretendíamos entrevistar só
tinha disponibilidade após a data limite de entrega do trabalho. Optamos por
outra docente, indicada pela Professora Lúcia, que nos concedeu uma entrevista
rica em informações relevantes para o nosso estudo.
Através desta entrevista, verifiquei que, para existir uma verdadeira alteração nas práticas pedagógicas, além da capacitação digital, deve existir uma articulação entre componente pedagógica, comunidades de aprendizagem e trabalho colaborativo entre docentes. Os modelos híbridos devem ser privilegiados, pois, permitem proporcionar uma aprendizagem flexível e personalizada, essencial para alcançar o sucesso educativo. Sendo estes modelos ainda pouco usados, deve ser incentivada a sua prática e para tal, deve ser apoiada a colaboração entre pares e a formação contínua de professores, sendo também imprescindível fomentar lideranças intermédias que incentivem à mudança. Apesar de todas as vantagens das tecnologias emergentes, verifica-se pouca inovação pedagógica, pois, os professores aplicam-nas em modelos tradicionais, sem aproveitar todo o poder transformador dessas tecnologias.
Por questões éticas, apenas se partilha aqui o guião da entrevista.
Concluindo, considero que mais uma ou duas aulas síncronas teriam sido benéficas para o meu processo de aprendizagem. Lamento que a nossa turma tenha ficado tão reduzida, levando, por exemplo, a que nenhum grupo estudasse os modelos massivos.
Senti alguma dificuldade na concretização de algumas tarefas, pois algumas incluíam pequenas subtarefas, o que acabava por ser algo confuso e prolongava bastante a realização dos próprios trabalhos. Refiro-me, por exemplo, a ter de preparar questões para um guião de entrevista e às bibliografias anotadas que tinham depois de ser publicadas no Padlet.
Destaco como muito positivo as aprendizagens adquiridas ao longo da realização dos trabalhos de grupo, pois, estive integrada num grupo onde existia trabalho colaborativo produtivo, com uma forte componente de ajuda entre colegas. Trabalhar em grupo também nos leva a refletir muito mais do que os trabalhos individuais, sendo também certo que aprendemos muito com os conhecimentos dos restantes colegas. Porém, considero que todos os trabalhos de grupo, nesta modalidade de ensino, são de difícil concretização, pois todos temos os nossos ritmos laborais e familiares, o que torna difícil estarmos todos disponíveis à mesma hora para trabalharmos. No entanto, penso que o grupo no qual me inseri elaborou trabalhos de qualidade e conseguiu cumprir com o solicitado pela professora.
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